Clemente Meneres

 

 

    Clemente Meneres foi um homem de negócios influente e de grande inteligência e empreendimento. Oriundo da Vila da Feira, negociava em vinho e cortiça para a Europa e Brasil, tendo empreendido viagens ao Brasil, Norte de África e Médio Oriente, tendo um seu stand participado na Feira de Osaka de 1903. Com o sucesso e crescente aceitação destes produtos, procura não só comercializar como produzi-los também. Nesta sua demanda, chega pela primeira vez a território trasmontano em 1874, procurando por supostos sobreirais subaproveitados, acabando na zona do Romeu. Pouco tempo passou para que adquirisse esses sobreirais, e fundasse a Quinta do Romeu, à qual se seguiria a Companhia Meneres. O seu interesse cobre ainda as vinhas e os olivais, que adquire e melhora. No Romeu monta ainda uma fábrica de rolhas de cortiça; toda esta exploração existe ainda, sendo visível do IP4, que corre ao lado destes terrenos, considerados como dos mais ricos de Trás-os-Montes, de onde sai azeite reconhecido além fronteiras.

    Foi depois deste empreendimento que Clemente Meneres se percebeu da importância vital de poder escoar de forma rápida os seus produtos, e, depois da Câmara Municipal de Mirandela ter mostrado interesse em trazer o comboio à Terra Quente Trasmontana, fez todos os esforços possíveis para exercer pressão com a sua influência e da Associação de Comércio do Porto para que esta obra se concretizasse. Mais tarde, a via-férrea chegaria finalmente às portas da sua Companhia no Jerusalém do Romeu, em Agosto de 1905, ficando a estação do Romeu de frente para um seu armazém, permitindo a carga e descarga directa de matérias e produtos. Não obstante, deixou ainda uma Escola Primária, para a qual alojou e contratou professores, e oferecia o almoço às crianças.

    Por tudo isto, a Linha do Tua não seria o que foi e o que ainda é, sem a intervenção enérgica deste homem de negócios, com uma visão decidida sobre o futuro.