Abílio Beça

 

    Abílio Beça é natural de Vinhais, vila sede de concelho do distrito de Bragança, onde nasceu em 20 de Agosto de 1856. Curiosamente, foi o mesmo ano em que se inauguraram os caminhos-de-ferro em Portugal; o seu destino ficaria para sempre ligado à estrada de ferro que mudou o mundo. Em 1880 concluía os seus estudos na Universidade de Coimbra, formando-se em Direito. Pouco tempo depois, era já professor no Seminário Liceu de Bragança, e em 1888 assumia a direcção do jornal O Brigantino, extinto o qual fundou em 1892 um semanário de inspiração regeneradora (movimento político da época).

    Mas este foi apenas o começo de uma brilhante carreira que seguiria na senda da política nacional. Em 1893 era eleito presidente da comissão distrital, e em 1894 era eleito deputado do Reino. A sua primeira intervenção na câmara parlamentar deu-se a 11 de Outubro de 1894. Não obstante, foi eleito Presidente da Câmara Municipal de Bragança em 1896, cargo que não chegaria a ocupar por incompatibilidades de funções. Em 16 de Novembro de 1899 era eleito pela terceira e última vez deputado, na altura pela oposição, já que em 6 de Julho de 1900 chegou ao patamar maior da sua carreira política, aquele pelo qual é mais conhecido e lembrado: Governador Civil de Bragança. No ano seguinte foi agraciado com a Carta de Conselheiro; desde então, esta figura ficaria para sempre conhecida como o Conselheiro Abílio Beça.

    Foi incansável no cargo de Governador Civil; defensor acérrimo dos direitos dos trasmontanos, levou obras a todos os cantos do distrito, não só nos principais centros populacionais, mas pelas mais diversas aldeias. Exigia com firmeza a manutenção do que outros queriam retirar a Bragança, e a introdução de meios de desenvolvimento. Foi no seguimento desta política que Abílio Beça se envolveu de forma decisiva na continuação da Linha do Tua até Bragança, beneficiando do seu cargo e influência para que a obra finalmente fosse concluída. Sem o seu contributo, a demora na chegada do comboio a Bragança poderia ter sido alongada de forma a que tal nunca sequer se tivesse levado os carris de Mirandela até além Serra da Nogueira.

    Porém, Abílio Beça seria vítima deste grande desejo de desenvolvimento que o guiou, e cujo expoente máximo foi a via-férrea de Mirandela a Bragança. Em 27 de Abril de 1910, na estação serrana de Salsas, comete a imprudência de tentar subir a bordo de um comboio em marcha. Escorrega e cai para a linha, sendo, para o horror dos presentes, trucidado pelo comboio que não conseguiu parar a tempo de evitar a tragédia. Morria assim um dos expoentes máximos do distrito de Bragança, às mãos do comboio que tanto almejou para a sede do distrito.