A Linha

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Infra-estruturas da Via

    Em 134Km de via, múltiplas paisagens nos deslumbram, grandes obras permitem a nossa passagem, inúmeras estações nos acolhem. Uma obra como o foi e ainda é, a Linha do Tua inclui diversas infra estruturas, e modelou a paisagem por onde passa, marcando-a de forma indelével.

 

 

                

      Obras de Arte                          Estações

 

Do 0 ao 134

 

A Linha do Tua é uma linha de bitola métrica, mais conhecida por via estreita, que percorre 134Km desde a estação do Tua, também servida pela Linha do Douro, até Bragança, atravessando vales, planaltos e serras do Nordeste Trasmontano. O trajecto ainda explorado resume-se a 58Km do traçado total da via, desde o Tua até Mirandela e Carvalhais, tendo estado por 3 anos em exploração apenas 54Km, do Tua a Mirandela. Foi em 1995 que se reabriu um troço de 4Km da cidade à beira Tua até Carvalhais, para a inauguração do 2º Metropolitano de Portugal, o Metro de Mirandela, a operar apenas neste troço da via.

É variada e deslumbrante a paisagem que a linha percorre. Desde os vinhedos do Douro, passando pelos desfiladeiros do Baixo Tua, escalando montes até ao planalto de Bornes, e subindo até aos contrafortes da Serra da Nogueira, a Linha do Tua é considerada a nível nacional e internacional como a mais bela via-férrea portuguesa. Jóia da Coroa, ou a linha mais alpina de Portugal, a verdade é que do Tua a Santa Comba de Rossas, a escalada acumula 675 metros de desnível, sendo que a estação de Rossas é a mais alta estação portuguesa, estando a 850 metros de altitude, superando a estação da Guarda, na confluência das Linhas da Beira Alta e da Beira Baixa.

Mesmo em curtas distâncias, a via-férrea atravessa múltiplas paisagens, numa metamorfose constante da Mãe Natureza. Começando na estação do Tua ao mesmo nível que a Linha do Douro, rapidamente o desnível começa, sendo bastante notória a subida no primeiro quilómetro da linha, ao se ver o casario e a linha duriense a ficarem cada vez mais abaixo, no fundo de altas paredes que suportam a via estreita. A entrada no Baixo Tua é deslumbrante, com a vista da Foz do Tua e de nada menos que três pontes, duas delas ferroviárias. Entre o Tua e Abreiro, estação que medeia as duas gares, existem 5 pontes e 5 túneis, números que descem para 4 de cada somente na primeira vintena de quilómetros, o que demonstra a dureza do traçado e da sua construção.

A partir de Abreiro, o traçado suaviza-se, bem como a paisagem envolvente, até Mirandela. Na cidade à beira Tua, principal porta de entrada do Nordeste Trasmontano, a linha despede-se do rio que lhe fez companhia desde o quilómetro 1. Começa a terceira fase da linha, a bem dizer. A partir da estação mirandelense, iniciou a segunda fase de construção da linha, e a introdução numa nova paisagem. Os comboios ainda sobem mais 4Km, até Carvalhais, estação a partir do qual imperam o silêncio e o abandono quase gerais. Dentro de Mirandela, e a pouca distância das estações antiga (REFER) e nova (Metro de Mirandela), está mais um túnel, e após este o antigo apeadeiro de São Sebastião. Com a chegada do Metro, foram construídas na cidade mais 4 estações: Mirandela-Piaget, Tarana, Jacques Delors, e Jean Monet. Do antigo traçado, apenas as estações de São Sebastião e de Carvalhais permanecem.

Ultrapassado o fim dos carris na venturosa aldeia de Carvalhais, o canal continuava o caminho praticamente plano iniciado a partir de São Sebastião. A Estrada Nacional 15 substitui o Rio Tua, para acompanhar quase de forma permanente a linha até Bragança. Seguiam-se dois apeadeiros, um deles actualmente desaparecido (Avantos), a partir do qual a visão da aldeia de Jerusalém do Romeu e das quintas de Clemente Meneres surgiam. Ao lado, a grande subida que enveredava pelos montes sobranceiros, fugindo e escondendo-se entre vales apertados, torna-se divisível ao mesmo tempo. A chegada à estação fazia-se após atravessar a Ponte da Assureira, a maior da Linha do Tua.

Depois dos quilómetros feitos ao plano, a linha voltava a subir, só até aos Cortiços, mas num traçado remetido de novo a um total ermamento, entre montanhas isoladas e vales estreitos. A partir dos Cortiços, a linha percorreria a mais longa distância contínua em plano, com algumas rampas esporádicas. À chegada a Macedo de Cavaleiros, surgia no horizonte a Serra de Bornes, delimitando os sistemas hidrográficos dos Rios Tua e Sabor. A construção da linha desde os Cortiços até Sendas e Salsas não significaria o mesmo esforço dispendido para trás. Subindo muito gradualmente, e com apenas duas obras de arte, um pontão em Grijó e a Ponte sobre o Azibo, perto do Vale da Porca, a linha atingia a sua centena de quilómetros na maior sucessão de apeadeiros e de estações com menor distância entre si de toda a linha. Num traçado que ficou desviado de algumas aldeias, a via-férrea atingia Salsas, e uma rampa que contornava um cabeço para subir até aos 850 metros de altitude, antes de atingir a estação de Rossas.

Mais uma etapa de planura se sucedia, não sem algumas rampas, até Mosca. Pelo caminho, a linha serpenteava pelas encostas da Serra da Nogueira, atravessando o maior túnel da linha depois de Rossas, mais um antes de atingir Sortes, e logo outro antes de Remisquedo, seguindo-se uma das maiores pontes, entre Remisquedo e Rebordãos. A partir de Rossas, a proximidade e as passagens de nível que começavam a partir de Remisquedo, faziam com que comboio e automóveis promovessem algumas corridas, para ver que primeiro chegava a uma aldeia, ou a Bragança. Com um pontão e mais uma PN se atingia a última estação antes de Bragança: Mosca. Do espaço entre a estação e o seu armazém, podia-se avistar Bragança lá ao fundo; a linha começava a descer durante 4Km de forma contínua, passava a Ponte da Coxa já dentro de Bragança, mais outra ponte em betão e um pontão, até finalmente atingir a estação brigantina, em pleno centro da cidade.

Nenhuma descrição da linha poderá ficar completa sem uma visita in loco. Por isso, aconselho mesmo uma visita/passeio, de comboio até Carvalhais (transbordo em Mirandela), e uma visita ao canal para Bragança, onde em alguns locais se pode apreciar uma paisagem de grande beleza. Uma visita à Secção Museológica de Bragança poderá completar este périplo por terras nordestinas, com algum material histórico que serviu nesta linha durante anos a fio.